Para além dos algoritmos


Resgatar a profundidade é preciso. Nesse sentido, a leitura de bons livros emerge como um pilar essencial para a autonomia do pensamento na era digital, dominada pelos algoritmos de recomendação. Enquanto os algoritmos moldam o consumo de informação para maximizar o engajamento, frequentemente induzindo à leitura superficial e descontínua, o livro impresso ou digital que exige imersão estimula a leitura profunda.

Este processo cognitivo, que envolve inferência, análise crítica e reflexão prolongada, é crucial para o desenvolvimento intelectual, sendo atrofiado pela natureza hiperestimulante e fragmentada dos conteúdos digitais.

Além disso, a lógica algorítmica, ao priorizar o que o usuário já consome, cria as chamadas "bolhas de filtro", isolando o indivíduo de perspectivas divergentes. A literatura, por sua vez, oferece uma curadoria temporal e intelectual que transcende o imediato, expondo o leitor à alteridade e à complexidade da condição humana.

A leitura atenta de narrativas e raciocínios complexos é um exercício de empatia e sensibilidade ética, convidando à desaceleração e ao contato com o "outro". Em contraste, o ambiente algorítmico muitas vezes amplifica o conflito e a polarização.

Portanto, a importância da leitura de livros reside na defesa do pensamento complexo e do discernimento individual. É um ato de resistência contra a superficialidade e a fragmentação, fundamental para formar cidadãos capazes de navegar no mundo moderno com autonomia e humanidade.

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